5.11.09

aquaplanagem

deixa, deixa a cidade entrar.
respira, esse é o ar.
luzes, rio, moscas,
seu ao redor,
concreto,
graffiti. ah, e o pixo.
tem cinza, tem monumento.
monumentos da engenharia.
abre o vidro,
arte da cidade,
deixa a brisa entrar.
a janela fecha sozinha?
todas. pra abrir, é só você dar um toque.
pensa, tem lógica, organização;
aquaplanagem. 
mostra, de moto na chuva não dá certo.
tem jazz, samba nos fundos,
tem água, solta no mundo.
a língua como música,
a foto como instrumento,
a máquina, daquele momento.
cercada de passados,
escritos, fechados,
presentes,
e ocupa espaço, 
de ar de amor de movimento.

amor(es) - vietnã, dezembro/08


e por que gosto do texto justificado, gosto de um bloco, confuso por dentro, desordenado, sem sentido, sem explicação, sem separação, gosto de virgulas, de letra minúscula, de repetição, de riqueza de palavras, de um monte delas, delas. simplesmente, delas. e não gosto de títulos, de começos marcados, previsíveis, de finais, e assim gosto dos filmes, e gosto da desordem, e da lista, e da clareza, tão óbvia, que existe na confusão, como aqui, em hanoi, os olhares, no caos, dizem mais que a poesia, na folha, o seco, mais que a água, e o barulho, bem mais que o silêncio, e quero um livro, e gosto de escrever pras pessoas, cartas, e por que não livros, e o amor… amo o amor, amar a vida, as pessoas, as relações, os momentos, os sorrisos, os beijos, as musicas, os abraços. amar as saudades, amar os sentimentos, amar o coração, amar a existência. amar as possibilidades, ainda não as decisões. amar os passos, os embaraços, os tropeços, amar as letras, melodias, amar imagens, fotografia, mensagens, amar arte, jazz, amar cinemas, amar o ar, amar o verde, amar a cama, amar na cama, na rua, no trilho, no sofá, no corredor, na escada, na moto, na porta, na casa, no chão, tão longe, na praia, no rio, no sono, na pedra, no mar, na barraca, no claro, no escuro, na surpresa, na espera, na imaginação, na areia, na toca, na ilha, no lençol branco, com as mãos, com o toque, olhando a vista, andando na ponte, só com os olhos, na saída do trem, na neve, no quarto entre garrafas, no colchão sem lençol, no frio, com blusa roxa no rosto, com lágrimas nos olhos, olhando a neve pela janela, no deserto, no seco, no desconhecido, na poesia, enquanto durmo, no olhar, na flor, no abraço, no beijo, no momento anterior, no colchão no corredor, acordando, quinto andar, amar a lembrança, do início do amor, do inicio do amar, até a flor, amar no tchau, no elevador, no cabelo, na cama com cheiro, com suor, com gelo, com concha, com acordar, com pastel, e caldo de cana, amar com amigo, com intimidade, na beira, com brincadeira, com risada, com amor, com história, com carinho, com bem estar, com segurança, com realização de conto, de amor antigo, com tranquilidade, com ênfase, com pressa, com calma, com muita calma, com muita pressa, intensidade, com descontrole, com segredo, com abraço, e caixa d'agua, e porta, e pernas, e riscos e arriscos e petiscos e tenho que ir, barbatuques, agora jazz. e a saudade da ginga, amei o olhar, o sorriso, o dançar. e olhei e amei. e sorri e dancei. e o que é o amor se não o momento. a entrega, de inteiro, de completo, de beijo, de abraço, de mãos, de carinho, de passos e compassos, e formas, e cheiros, e sentidos, todos, e o calor e o frio, e tudo, e no meio, porque já. só o agora. lábios. contrastes, cores. suspiros.

18.8.09

I¨I¨iï¨iI

e o circulo do momento anterior
os buracos negros entre cada piscada
a folha em branco
o espaço entre as linhas
o tempo entre cada respiração
e o circulo (in)finito.
o chegar ao kilometro O
voltar e encontrar
nada.
vento, tudo.
digo, mudo.
sorrio, lindo. calado, esverdeado, reflexo, cristalino.
roxo.
a estrela cai e pisca
amor.
quero livre,
transparente.
momentaneo,
flusser,
,
descontinuo,
parece que os vivia,
sem que se acumulassem,
sem que uma estrutura se formasse,
sem que fossem de fato,
tão intensos quanto são,
tão internos quanto o som,
e assim se tornavam vivos,
os simples momentos.

28.4.09

invasao

a tailandia sorri,
a india gargalha.
a tailandia te abraca,
a india te engole. te enxagua. te seca.
a india te testa, berra, esperneia.
o vietnam te espeta. demora, te intriga, te solicita.
a india te envolve, te pede, te faz. te traz.
e o vietnam se abre. te faz sorrir olhando pra baixo.
e a india me invade.

26.2.09

sempre eu mesma.

eu não sou eu sem ponto de referência. o que acham de mim é parte do que sou, e parte do que sou, é o que acham de mim, que nada mais é do que uma combinação do que sou com parte do que quero ser, refletido pelos olhos do que cada um é e o que cada um queria ser, combinado, tudo junto : sou eu mesma sempre, com cada um, em cada lugar, um eu mesma diferente, refletido, combinado, misturado. que não é o mesmo. mas ainda assim, sou eu mesma.

não sempre a mesma.

esse pensamentinho-embrião ta sendo gerido e foi alimentado por um paragrafo lindo onde uma amiga disse "Não vejo você dando errado em lugar nenhum," mas isso sou o eu com você. que não necessariamente é o meu eu mesmo de sempre. mas obrigada por me dizer, que assim você pensa do meu ser, pq vai ver que assim passo, e você reflete pra mim com mais força pra eu ser o que eu sempre quis ser : eu mesma! aimeudeusdoceuquecomplexochega

25.2.09

Sabai Dee: (con)tradições no Laos

“Você tá lendo em português?” – eu tava tentando, naquela estrada infinita, há quase 20 horas dentro do mesmo ônibus. Tinha cruzado a fronteira já fazia algumas horas, o sol brilhava nas montanhas e refletia no rio, e o céu era de um azul que não se vê no Vietnam - mas nada me parecia mais interessante do que um banho e uma boa cama pra dormir. “Sim, to lendo em português, e de onde vem esse seu sotaque?” Simon era Holandês, há 35 anos, viaja um mês por ano. Conhece mais de 80 países e fala 12 línguas fluentemente. Pro Brasil já foi três vezes, Nordeste, Amazônia, Sul e Pantanal. Tem um conceito no minimo intrigante – gosta de atravessar o pais. O Vietnam ele visitou por apenas 4 dias, sendo 3 dias dentro de um trem de sul a norte e outro dia passou no ônibus. Esse mesmo ônibus que tomei, rumo ao Laos. Simon, mas por que você não parou no Vietnam? “Conheci mais do pais dentro do trem onde era o único estrangeiro do que muitos que param nos principais pontos”. Sim, tive que concordar. Pessoas. E ao contrario de alguns dos jovens revoltados com a grosseria e aparente falta de educação dos vietnamitas, Simon estava encantado com as pessoas que tinha conhecido. E aprendeu mais vietnamita do que eu consegui em 5 meses. E passei a apreciar as próximas horas do caminho ate Vientiane... Me perguntava por que a capital do Laos tem o nome tao parecido com o pais vizinho...? E o Simon explicou, que essa eh a leitura que os franceses fizeram do nome original que soa algo como “Wang Chieng”. Bom, ali chegamos, realmente a cidade de menos de meio milhão de habitantes faz jus a fama de capital mais tranquila da Asia. Na beira do Rio Mekong, restaurantes e bares em decks de madeira com almofadas no chão. Por do sol absolutamente indescritível. Do outro lado do Rio, esta a Thailandia – mas aqui desse lado, ainda tem leis e continuam budistas: tudo fecha as 11:30 da noite. Templos espalhados pela cidade, se misturam com construções espaçosas e ruas calmas. Me sinto em outro mundo... não tem buzina, não tem um zilhão de motos, não tem milhões de pessoas nas ruas em todos os horários e lugares, não tem gente tentando te vender coisas, a língua me cai bem, soa tranquila, eles sorriem, dizem Sabai Dee o tempo todo e o ar eh limpo. Sensação de pais novo. Com esperança. Ainda com esperança de construir um caminho justo. Sim, muita pobreza, mas ainda não eh caótico – como o Vietnam, e, em um estagio completamente diferente, o Brasil – onde em geral nos da a sensação de “por onde começar a arrumar tudo isso?". Bom, um pouco de cultura, um pouco de leitura, entendimento, conversas, e em alguns dias pegamos o ônibus pra Vang Vieng – o “paraíso” do Laos. VAZIO – turistas disfarçados de mochileiros. Turistas. Como qualquer outro. Muito pior do que os tao criticados “turistas de pacote”, aqueles que saem de seus países com tudo planejado e se enfiam dentro de ônibus turísticos em grupos onde passam um tempo geralmente curto e pré-determinado em cada uma das atrações – pasmem – turísticas. Em geral carregam um guia e vão lendo pelo caminho entre uma foto e outra. Se ta calor, usam chapéu e protetor solar. Pois bem, os “ mochileiros” que se encontra em Vang Vieng são muito piores que esses!

a continuar...
por ora,
Khop jai lai lai!